Aproveito o espaço, para divulgar outros trabalhos dos alunos.
A propósito de temas abordados oralmente na turma, eis um trabalho de Carolina Velez.
A propósito de temas abordados oralmente na turma, eis um trabalho de Carolina Velez.
Esta foi a música escolhida para ilustrar o tema.
A propósito deste tema, Carolina Velez publicou este texto no Jornal de Alferrarede.
Um dia fui assistir a um espectáculo musical que tinha como protagonistas crianças pouco experientes com cerca de 4 anos bem como alguns jovens da cidade que tocavam cordas, piano, flauta, entre outros.
Uns melhor, outros pior, todos acabaram por mostrar os seus dotes acompanhados pelos inevitáveis nervos desnecessários.
É aqui que entra a parte que mais me chocou e me levou a escrever tudo isto. Na realidade todos os nervos destas crianças foram desnecessários, ninguém os ouvia, apenas os seus pais ou outros familiares que aí se tinham deslocado para o fazer. Os outros? Esses limitavam-se a bufar e contar o número de crianças que se encontravam antes da chegada dos seus filhos.
Fiquei algo perplexa quando me deparei também a mim própria a rezar para que o espectáculo decorresse rapidamente e que as minhas duas colegas finalmente tocassem e eu pudesse ir para casa.
Esta situação retrata claramente o egoísmo inerente a cada pessoa, não me referindo apenas aos presentes naquela plateia mas na sociedade na qual estamos inseridos quer queiramos, quer não.
Ninguém valoriza o esforço e dedicação dos outros. Somos envoltos num clima fechado, selectivo e cuja única direcção é o nosso próprio umbigo, convertendo estas atitudes e valores em banalidades e comportamentos irreflectidos intrínsecos e comuns a todos.
Nascemos formatados por todo o stress que nos embala e nos inibe de aproveitar as boas sensações que acabam por passar-nos ao lado sem que possamos sequer dar por elas. É por esta razão que deixei de me incomodar com as pequenas e fúteis coisas, pessoas.
Concluí que passamos por esta vida como se estivéssemos camuflados, ninguém nos vê mas todos apontam os nossos erros, somos tão pequenos que mal conseguimos afirmar-nos positivamente, mas somos tão grandes para aqueles que não têm vida fazendo da nossa a deles, pondo e dispondo dela nos seus temas de conversa, orgulhando-se da sua falsa ilusão de nos conseguirem abalar.
Tudo o que se encontra á nossa volta está a perder o sentido, nenhuma música é ouvida, nenhum bolo é realmente saboreado, ninguém esta com ninguém, porque hoje chegámos ao paradigma no qual o corpo tem amarras e a mente que deste se separa tem asas. Estamos todos juntos, mas estamos com ninguém e ninguém nos pode encontrar, estamos perdidos deliberadamente na nossa própria casa, estamos sós no meio dos nossos, porque passámos não a andar sozinhos, mas por apenas nos termos feito acompanhar por nos próprios.
Estamos onde não estamos.
Por Maria Carolina Velez
